Fotógrafos do Século XXI: Michael Ackerman – Trabalho para História da Fotografia no ArCo

“Conheci-o em pessoa e apercebi-me que está sempre a fotografar a sua alma, as suas obsessões e os seus desejos e ele próprio diz que não consegue controlar o que sai na sua fotografia. Estive algum tempo na casa dele e por vezes saíamos juntos para fotografar para as ruas e bares e vi como ele funciona durante o acto fotográfico. Ele fotografa totalmente em transe, totalmente inundado pelo que vai experenciando, totalmente entregue ao momento. No tempo que passei com ele tive a hipótese de o conhecer melhor e vi a sua honestidade e coragem, que são para mim dois elementos fundamentais da integridade artística.” (Stratis Vogiatzis)

Texto

Michael Ackerman é Americano nascido em 1967 em Tel-Aviv.

Em 1974 a sua família muda para Nova Iorque onde em 1985 ingressa na Universidade de Nova Iorque de Alabany, mas para o final do curso inicia-se em fotografia e deixa de se aplicar na escola. Deixa a Universidade em 1990 e passa a fotografar a tempo inteiro as ruas, clubes nocturnos, as docas e toda a espécie de underground de Nova Iorque. Inicia o seu próprio quarto escuro na cozinha de sua mãe. Ganha dinheiro enviando as suas fotografias para um jornal gratuito chamado “New York Perspectives”.

Desde a sua primeira exposição, em 1999, Michael Ackerman criou a sua marca ao apresentar uma visão nova, radical e com uma abordagem única. Através das imagens que apresentou de algumas viagens pela Índia e pela Itália, passou a ser reconhecido e a ser aceite como uma das grandes promessas da fotografia mundial. Recebeu o prémio “Nadar” pelo seu livro “End Time City” em 1999, e o prémio “Infinity Award for Young Photographer” do Centro Internacional de Fotografia em 1998. Participou entre 1999 e 2010 em várias exposições colectivas e pessoais. Tem 3 livros publicados em 1999 o “End Time City” da Nathan/Delpire, em 2001 o “Fiction” da Delpire e finalmente em 2010 o “Half Life” também da editora Delpire.

O seu trabalho aos Varanasi chamado “End Time City”, quebra com todos os tipos de exotismo ou qualquer tentativa anedótica de descrição, ao questionar tempo e morte com uma liberdade conseguida pela distância ao panorâmico dos quadrados e rectângulos. Já em “Half-Life”, trabalho que é o resultado de uma obcessão iniciada em 2001, é formada uma narrativa em que o passado e o presente se misturam numa abordagem subjectiva que deslocaliza todos os pontos geográficos e temporais. Neste trabalho, Ackerman preenche experiências de progressão da sua vida pessoal, as quais ocorreram, nos anos recentes, em Nova Iorque, Havana, Paris, Varsóvia, Cracóvia, e Berlim com especial enfoque nas cidades Polacas e em Berlim.

A sua imagem é cheia de força negra e revela um mundo escondido que se alimenta só o suficiente da realidade visível para nos dar um ambiente que nos toque e que marca pela sua presença magnética e animal mantendo sempre uma agressão estética visual contrastante com qualquer tipo de linearidade de expressão. A preto e branco, em permanente risco pela exploração de iluminação impossível, entrega-se a imagens cheias de grão para criar imagens enigmáticas e visões cheias de significado.

Michael Ackerman procura – e encontra – no mundo que ele atravessa, reflexões sobre a sua loucura, dúvidas e angústia pessoais.

Retratos e paisagens emergem a partir da negrura da noite e do tipo de iluminação surrealista que apenas Michael Ackerman sabe como obter. O seu envolvimento fotográfico toca intenções documentais, apesar de demonstrarem o seu modo de olhar para o mundo, que é composto por sentimentos de ternura, amor, solidão e ansiedade, mas sempre minadas por dúvidas e obsessões.

A sua narrativa “Half-Life”, apresentada em 2010, marcou fortemente o fotógrafo como uma referência imortante, ao ser o seu trabalho mais exposto pelos Centros de Arte na Europa e América.

É actualmente representado pela conceituada Agência VU onde os fotógrafos são incentivados a ter a sua imagem estética pessoal e a perseguir o trabalho que pretenderem. A agência ao escolher para si o nome de uma famosa revista francesa dos anos 20, apresenta uma proposta ambiciosa pois essa revista era muito inovadora na estética que apresentava.

Imagens

Nenhuma das imagens deste Post são da origem do Imaginei-me dentro de ti.
Todos os créditos são atribuídos a Michael Ackerman de acordo com as indicações conhecidas.

   

 

Michael Ackerman é um dos fotógrafos na Secção Paixões do Imaginei-me dentro de ti. Para uma galeria com mais imagens: http://imagineimedentrodeti.com/paixoes/michael-ackerman/.

Bibliografia

http://500photographers.blogspot.com/2011/01/photographer-199-michael-ackerman.html.

http://www.agencevu.com/photographers/photographer.php?id=1.

http://www.stratisvogiatzis.com/blog/entry/ackerman-workshop-krakow.

Mary Warner Marien, Photography: a cultural history, 2nd ed., London, Lawrence King Publishing, 2002.

 

Advertisements