Je Est Un Autre – Workshop de Narrativas Fotográficas – III – MEF


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Estas imagens foram efectuadas para o Workshop de Narrativas Fotográficas com laboratório a P/B do MEF cuja proposta foi utilizar o livro de Robert Frank “Hold Still, Keep Going” como fonte de inspiração para um trabalho em película P/B que seja subordinado a um tema auto-biográfico.

O trabalho foi integralmente realizado em pelicula analogica de 35mm, com rolos Kodak TMax400 fotografados em estudio e em mesa de luz. A escrita e riscos foi realizada com mistura de varias tecnicas directamente nos negativos finais do trabalho. a impressao foi efectuada em laboratorio sobre papel matte 18x24cm. Toda a revelacao e impressao foi efectuada pelo autor.

Partes e peças

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Estas imagens fazem parte do percurso do trabalho e mostram a colagem de recortes de impressões de películas antigas sobre impressões de auto-retrato efectuadas especificamente para este trabalho. As películas antigas de retrato foram encontradas no lixo e são todas de grande formato.

Os testes iniciais para o projecto podem ser vistos num post mais antigo clicando aqui.

A continuação vai ser a reprodução destas imagens coladas em película P/B de 35mm. Sobre os negativos resultantes serão intervencionados riscos, texto e marcas para finalmente serem efectuadas as impressões finais.

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“Je Est Un Autre” é uma frase pertencente a um poema que Rimbaud escreveu numa carta a Paul Demeny em 15 mai 1871 que continua com “J’assiste à l’éclosion de ma pensée : je la regarde, je l’écoute…”. Com esta frase Rimbaud denota uma introspecção sobre o “ser”, sobre a criação e sobre a autoria dos objectos que cria, como se ele próprio se colocasse fora dele observando o acto criativo proveniente de uma origem não consciencializada. Rimbaud aceita e explora que há várias vozes que falam através dele e que ele é um espectador para a sua obra.

É natural que existam choques de valores dentro de nós ao longo do processo de crescimento. Este choque fez-me sentir muitas vezes como um estranho face aos comportamentos que derivaram de condicionamento social. O tempo trouxe-me a maturidade para descobrir e confiar no meu interior, em suma, para entrar em paz com o que parecia o “outro” que aqui sempre existiu.

Este trabalho será ainda suportado por texto retirado do poema

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Esta inconstancia de mim próprio em vibração
É que me há-de transpôr às zonas intermédias,
E seguirei entre cristais de inquietação,
A retinir, a ondular… Soltas as rédeas,
Meus sonhos, leões de fogo e pasmo domados a tirar
A tôrre d’ouro que era o carro da minh’Alma,
Transviarão pelo deserto, muribundos de Luar –
E eu só me lembrarei num baloiçar de palma…
Nos oásis, depois, hão de se abismar gumes,
A atmosfera ha de ser outra, noutros planos:
As rãs hão de coaxar-me em roucos tons humanos
Vomitando a minha carne que comeram entre estrumes…

Há sempre um grande Arco ao fundo dos meus olhos…
A cada passo a minha alma é outra cruz,
E o meu coração gira: é uma roda de côres…
Não sei aonde vou, nem vejo o que persigo…
Já não é o meu rastro o rastro d’oiro que ainda sigo…
Resvalo em pontes de gelatina e de bolores…
Hoje, a luz para mim é sempre meia-luz…

As mesas do Café endoideceram feitas ar…
Caiu-me agora um braço… Olha, lá vai ele a valsar
Vestido de casaca, nos salões do Vice-Rei…

(Subo por mim acima como por uma escada de corda,
E a minha ânsia é um trapézio escangalhado…).

Mário de Sá-Carneiro, in ‘Indícios de Oiro’

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Fotografias, impressão, planeamento, recortes e montagem: Carlos Muralhas – Fotografias para mistura: antigas de retrato de autor desconhecido.

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